
O Rio Grande do Norte alcançou a marca de 122.297 sistemas de energia solar distribuída conectados à rede até março deste ano. O acréscimo foi de 6,7% em relação ao ano passado, correspondente a 7.760 novos sistemas, nos primeiros três meses deste ano. Em termos de potência instalada, o acumulado superou a marca de 1 gWp, correspondente a 1.047,9 mWp. Os resultados foram divulgados no Observatório da Energia Solar, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), elaborado pela JVilar Consultoria.
O presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), Williman Oliveira, aponta que o resultado pode ser considerado positivo e demonstra a demanda da busca da população por economia. Isso porque ao gerar a própria energia os consumidores deixam de ser afetados pelos aumentos consecutivos na conta da energia elétrica. Aliado a isso, observa, a redução nos preços das placas solares torna o investimento atrativo.
Os dados do Observatório de Energia Solar apontam que o consumo residencial responde por 86,2% dos sistemas de energia solar distribuída e 64,9% da potência instalada no Rio Grande do Norte. Na sequência, aparecem os sistemas comerciais, que respondem por 10% da quantidade e 24,9% da potência instalada.
Na avaliação de Williman Oliveira, esse cenário pode ser explicado por dois fatores principais: a demanda por espaço de cada setor e o uso de compensação. No primeiro caso, observa, os consumidores residenciais precisam apenas do próprio telhado para instalar os painéis solares, enquanto segmentos da economia demandam áreas maiores. Já em relação ao segundo fator, ele chama atenção para a possibilidade de atendimento pulverizado das usinas.
“Nós temos 122 mil usinas instaladas, mas imagine, por exemplo, que há pelo menos o dobro de pessoas que utilizam a geração distribuída como compensação. Isso porque essas usinas geram para atender uma demanda de pessoas que recebem a geração remotamente. Então, eu posso montar uma usina no interior e atender cerca de três a quatro residentes”, completa o presidente da APER.
A gerente do Polo de Energias Renováveis do Sebrae-RN, Lorena Roosevelt, reitera que o setor de energia solar distribuída tem amadurecido com o maior conhecimento dos consumidores sobre esse mercado. Somado à qualificação técnica das empresas, fatores externos como a crise de petróleo, além do crescimento dos veículos elétricos, têm favorecido o segmento.
“Esta é a dobradinha perfeita: o consumidor consegue gerar sua própria energia por meio da energia solar e, ao mesmo tempo, usar o veículo elétrico carregando na própria residência. Então vira um ciclo poderoso e virtuoso de economia tanto para as residências como para negócios, comércio, indústria, e agronegócio”, completa.
Na divisão por municípios, o levantamento mostra que Natal responde pela maior quantidade de conexões no Rio Grande do Norte, com 21.401, alcançando 187.396,84 kWp em potência instalada. Na sequência, aparecem Mossoró, com 20.367, e Parnamirim que reúne 12.266 conexões. Em termos percentuais, os três municípios respondem por 17,5%, 16,7% e 10,0% de sistemas instalados no Estado, respectivamente.Play Video
De acordo com Williman Oliveira, o panorama reflete a localização estratégica e favorável dos municípios para a geração de energia solar, além das características ligadas à ocupação urbana. “Em Mossoró, por exemplo, há poucos prédios e muitas residências, então a percepção de instalação e facilidade de conexão à rede é maior. Já em Natal, há uma mescla, com muitas residências e prédios que aderiram à energia solar”, completa.
Lorena Roosevelt destaca que, embora o cenário seja mais expansivo no setor residencial, os demais não ficam para trás: “No Brasil e no mundo, a tendência maior é residencial, mas nós vemos um crescimento também para a área comercial, industrial e agronegócio. A energia solar distribuída é democrática e cabe em todos os espaços”.
Uma perspectiva semelhante é repercutida pelo presidente da APER. “A GD é um grande investimento para o cidadão e tem levado para todo o estado desenvolvimento para pequenos negócios e pequenas empresas, porque é uma conta que passa a ser subsidiada pela energia do sol. Então, a partir do momento que o cidadão faz esse investimento, ele tem a geração na casa dele, para seu negócio que com certeza consegue ter mais dignidade e ter uma qualidade de vida melhor”, ressalta.
TRIBUNA DO NORTE