Crédito imobiliário no RN cresce 14,6% e atinge R$ 15,59 bilhões

A revisão do Plano Diretor de Natal (PDN) permitiu a instalação de novos empreendimentos na capital| Foto: Joana Lima/arquivo tn

Felipe Salustino Repórter

O crédito imobiliário no Rio Grande do Norte registrou um volume de recursos de R$ 15,59 bilhões no final de dezembro de 2025, o que significa uma expansão de 14,6% em relação ao mesmo período de 2024, cujo montante somava R$ 13,60 bilhões. Os dados são do Banco Central (BC) e foram compilados levando em conta o estoque de contratos ativos em cada período. O crescimento, de acordo com interlocutores do setor, está relacionado ao déficit habitacional do RN em conjunto com fatores como a revisão do Plano Diretor de Natal, há cerca de quatro anos, e a melhora dos índices de emprego e renda no estado.


Os números do BC agregam três diferentes carteiras imobiliárias: comercial, Fundo de Garantia (FGTS) e Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O destaque é o FGTS, que apresentava um montante de R$ 10,7 bilhões (68,6% do volume total) em dezembro passado, com crescimento de 20,2% no comparativo com igual período de 2024, quando registrava R$ 8,9 bilhões em contratos no RN. Moisés Marinho, diretor-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), afirma que a grande procura por imóveis, dado o déficit habitacional do Estado, é uma das razões para o cenário.


Aliado a isso, ele cita a revisão do Plano Diretor de Natal (PDN), que permitiu a instalação de novos empreendimentos na capital. “Em linhas gerais, a procura por novos empreendimentos é alta justamente porque existe uma carência de imóveis, e isso impacta diretamente na questão do crédito”, disse. Ricardo Abreu, diretor da imobiliária Abreu Imóveis, concorda e destaca que as mudanças do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), com elevação do teto do valor dos empreendimentos e dos limites de renda familiar, também contribuem fortemente para a maior adesão ao crédito.


“O aumento das faixas do programa é um ponto a ser levado em consideração”, disse. O empresário citou que as mudanças no MCMV ocorrem em um momento de ampliação da oferta de imóveis em Natal, graças às novas prescrições urbanísticas que vieram com as revisões do Plano Diretor e do Código de Obras, ajudando a ampliar as contratações de crédito no RN. “Com as duas mudanças, mais imóveis foram lançados, inclusive pelo MCMV, elevando a procura por moradia e fortalecendo os dados de crédito imobiliário”, frisa.


O crescimento, na avaliação de Ricardo Abreu, deverá se sustentar. “O Minha Casa, Minha Vida tem uma aceitação muito boa e está com muitos projetos em fase de aprovação, então os contratos de crédito imobiliário devem continuar ainda muito significativos”, pontuou. De acordo com a cooperativa financeira Sicredi Nordeste, o movimento de expansão no estado acompanha a trajetória nacional, com a expansão ocorrendo em meio ao avanço da renda, à melhora no emprego e à permanência do déficit habitacional no RN.


Para a Sicredi, a política habitacional do Governo também se destaca como fator relevante e, portanto, a tendência é de continuidade do crescimento do crédito imobiliário. “Com a manutenção da demanda e das condições de negócio, o mercado deve se tornar mais diversificado, com maior presença de diferentes fontes de recursos e modelos de financiamento que levam à ampliação do acesso ao crédito”, frisa o assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, Artur da Silva Figueiredo.


Segundo ele, o avanço de dois dígitos nos números sobre financiamento imobiliário no RN reflete a combinação entre a procura por imóveis e mudanças nas carteiras, conforme mostram os números do Banco Central. “Historicamente, a principal fonte de recursos para esse tipo de crédito sempre foi a poupança. Nos últimos períodos, porém, o crescimento desses depósitos perdeu força. Em resposta, outras fontes passaram a ganhar espaço, como o FGTS e instrumentos do mercado financeiro, como LCIs e CRIs, títulos de renda fixa usados para financiar o setor”, explica.


“O que a gente observa é uma demanda que não se retraiu, mesmo com um ambiente de crédito mais caro. Há uma base estrutural forte, que envolve renda, necessidade de moradia e dinâmica demográfica”, acrescenta Figueiredo, ao destacar que a Sicredi vem ampliando a própria carteira de crédito imobiliário ao permitir financiar até 90% do valor de imóveis residenciais em operações com prazos de até 35 anos. “O modelo no Sicredi também permite o uso do FGTS para aquisição, construção ou amortização do saldo devedor, além da possibilidade de portabilidade de financiamentos contratados em outras instituições”, afirmou.

TRIBUNA DO NORTE

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