Imóvel histórico da Cidade Alta será transformado em Centro de Convivência Cultural e integra estratégia de revitalização conduzida pela Assembleia Legislativa
No coração da Cidade Alta, onde as ruas ainda guardam marcas do período colonial e da formação urbana de Natal, um dos imóveis mais antigos da capital potiguar ganha nova destinação. A Casa do Padre João Maria, construção do século XVII localizada na Rua da Conceição, passará a funcionar como Centro de Convivência Cultural sob gestão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
A cessão do prédio foi formalizada por meio de termo assinado entre a Assembleia e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), transferindo ao Legislativo a administração e a responsabilidade pela preservação do imóvel, tombado como patrimônio histórico desde 1987. A iniciativa marca mais um passo na estratégia institucional de ocupação e recuperação de prédios históricos no Centro de Natal.
Iniciativa da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte amplia ações de preservação da memória e de valorização cultural no Centro da capital potiguar – Foto: ALRN
Construída originalmente como Armazém Real da Capitania do Rio Grande, a casa foi posteriormente adaptada para residência e atravessou diferentes períodos da história da cidade. A edificação é uma das poucas remanescentes do século XVII erguidas em alvenaria de pedra e cal na capital potiguar e conserva uma fachada colonial que remonta ao final do século XIX.
Entre os moradores que passaram pelo local, o mais conhecido é o Padre João Maria, figura de grande devoção popular no Rio Grande do Norte. Ele viveu na casa entre 1881 e 1905 e se tornou personagem central da religiosidade católica potiguar, sendo considerado santo por muitos fiéis.
Com a nova destinação, o prédio deixa de ser apenas um patrimônio preservado formalmente e passa a integrar a vida cultural da cidade. O projeto prevê a criação de um Centro de Convivência Cultural com programação permanente, realização de eventos institucionais e atividades abertas à população.
Para o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), a iniciativa reforça o papel do Legislativo na preservação da memória potiguar e na valorização do Centro Histórico de Natal. “Esse patrimônio é do povo, protegido pela história e agora está sob os cuidados da Assembleia Legislativa, que deve preservá-lo e dar a ele uma função viva, cultural e social”, afirmou.
A parceria institucional também foi destacada recentemente pelo presidente nacional do Iphan, Leandro Grass, que ressaltou o potencial cultural da iniciativa. Segundo ele, a cooperação entre os órgãos permite ampliar o uso público do espaço e fortalecer sua programação cultural. “A parceria do Iphan com a Assembleia permite que essa casa possa ser melhor gerida, cuidada e, principalmente, tenha uma programação mais intensa do ponto de vista cultural”, disse.
O superintendente do Iphan no Rio Grande do Norte, João Gentil, apontou que a cessão representa um avanço no enfrentamento ao abandono de imóveis históricos na área central da capital. “Essa parceria vem fortalecer o combate ao abandono de prédios históricos no Centro de Natal. É um trabalho inédito que a Assembleia Legislativa vem realizando. Com essa cessão, temos certeza de que esse patrimônio será muito bem cuidado e estará à disposição da cultura e da história do povo potiguar”, declarou.
A proposta é que o espaço funcione como ponto de convivência e de difusão cultural, integrando atividades voltadas à valorização da memória local, ações educativas e iniciativas que ampliem o acesso da população ao patrimônio histórico.
Revitalização da Cidade Alta
A implantação do Centro de Convivência Cultural na Casa do Padre João Maria faz parte de um conjunto de investimentos da Assembleia Legislativa do RN voltados à preservação arquitetônica e à revitalização do Centro Histórico de Natal. Nos últimos anos, o Legislativo estadual tem ampliado sua presença na região da Cidade Alta por meio da aquisição, recuperação e ocupação de imóveis históricos destinados a atividades institucionais e culturais.
Um dos exemplos mais emblemáticos desse trabalho é o Memorial do Legislativo Potiguar, instalado no casarão que pertenceu ao ex-governador Augusto Tavares de Lyra. O imóvel foi restaurado e transformado em espaço de memória, reunindo documentos, exposições e registros da história política do Rio Grande do Norte.
Além do memorial, a Assembleia também adquiriu imóveis ao longo da Rua Vigário Bartolomeu, ampliando a estrutura administrativa da Casa. Parte desses espaços vai abrigar setores como a Diretoria de Gestão Tecnológica e Inovação e a sede da Rádio e da TV Assembleia.
Na Avenida Câmara Cascudo, outro conjunto de imóveis também integra o plano de reestruturação. No local será construído um anexo institucional, enquanto um sobrado antigo será restaurado. Os prédios ficam nos fundos do Memorial do Legislativo e formarão um complexo integrado de serviços administrativos e atendimento ao público.
De acordo com o diretor administrativo e financeiro da Assembleia Legislativa, Pedro Cascudo, as iniciativas têm múltiplos objetivos, que incluem a melhoria dos serviços prestados à população, a redução de despesas com aluguel de imóveis e a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade. Segundo ele, a presença institucional no Centro Histórico também contribui para manter a circulação de pessoas e estimular a ocupação urbana da área.
Outro espaço cultural que ficará sob gestão da Assembleia é o Museu Café Filho, conhecido como “Sobradinho” e dedicado à memória do potiguar que chegou à Presidência da República. O conjunto dessas ações forma uma estratégia de ocupação institucional que busca preservar a arquitetura histórica da região e, ao mesmo tempo, estimular o uso público desses espaços.
Curiosidade
Alvenaria de pedra e cal é uma técnica construtiva tradicional e sustentável, utilizando pedras naturais assentadas com argamassa de cal (e areia) para criar estruturas duráveis, flexíveis e respiráveis.
Comumente usada em muros e fundações, essa alvenaria de alto desempenho, comum em construções históricas, oferece vantagens como resistência, estética rústica e menor manutenção a longo prazo.
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