Exames podem dar sinais de Alzheimer até 20 anos antes

Especialistas explicam de que forma análise de biomarcadores pode ajudar pacientes antes mesmo da eclosão dos sintomas

Exames de sangue capazes de identificar alterações biológicas associadas ao Alzheimer até duas décadas antes do surgimento dos sintomas começam a ganhar espaço no debate científico. Estudos recentes indicam que determinados biomarcadores circulantes podem revelar sinais do processo patológico muito antes das manifestações clínicas da doença.

Uma revisão científica publicada na revista Nature Medicine reúne as evidências mais recentes sobre o tema e aponta que biomarcadores sanguíneos têm potencial para sinalizar a presença de alterações relacionadas ao Alzheimer em estágios bastante precoces.Natal RNia duarte alzheimer mcamgo abr 22092023 7

Alzheimer é doença neurodegenerativa que compromete memória, raciocínio e outras funções cognitivas – Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete a memória, o raciocínio e outras funções cognitivas. Com o avanço da enfermidade, o paciente passa a apresentar dificuldades crescentes para realizar tarefas do cotidiano e manter autonomia. Trata-se da forma mais comum de demência, especialmente entre pessoas idosas.

Reportagem de Andressa Lima, do jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que os estudos analisados indicam que alterações biológicas podem ser detectadas no sangue muito antes da perda de memória e de outros sintomas típicos da doença. Entre os biomarcadores investigados está o p-tau217, proteína associada à formação de placas e emaranhados no cérebro — alterações características do Alzheimer.

No Brasil, alguns laboratórios já realizam testes que medem biomarcadores associados ao Alzheimer, como o p-tau. No entanto, parte das análises ainda precisa ser enviada ao exterior. Especialistas apontam que o principal desafio para ampliar o acesso a esses exames envolve a padronização técnica, a validação dos testes em populações brasileiras e a definição clara de critérios clínicos para sua indicação.

Especialistas consideram que esse tipo de exame pode ampliar a capacidade de triagem da doença e orientar melhor a investigação diagnóstica. O neurologista Eli Faria Evaristo, do Hospital Sírio-Libanês, explicou ao Estadão que os biomarcadores sanguíneos podem funcionar como uma ferramenta inicial de avaliação, ajudando a direcionar pacientes para exames confirmatórios mais complexos, como o PET cerebral ou a análise do líquor.

Apesar do entusiasmo com os avanços, os especialistas ressaltam que a possibilidade de detectar alterações precoces não significa, necessariamente, antecipar o diagnóstico clínico da doença. O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor do Richet Medicina & Diagnóstico, afirmou à reportagem que o principal ganho desse tipo de exame é permitir que o processo patológico seja observado mais cedo, além de contribuir para acompanhar sua evolução em situações clínicas específicas.

De acordo com o especialista, os biomarcadores podem apoiar a investigação diagnóstica quando há suspeita clínica, mas não devem ser interpretados isoladamente.

Conforme relatado por Andressa Lima, especialistas avaliam que o maior benefício desses exames hoje está entre pessoas que já apresentam algum tipo de queixa cognitiva, como lapsos de memória persistentes ou sinais de comprometimento cognitivo leve. Nesses casos, os biomarcadores podem ajudar a aumentar a precisão da avaliação médica.

Evaristo explicou à repórter que o teste pode atuar como uma espécie de triagem. Quando o resultado é negativo, ele pode contribuir para afastar a hipótese de Alzheimer. Já quando o exame indica alterações, pode ser necessário recorrer a métodos diagnósticos mais específicos para confirmação.

Os pesquisadores alertam, contudo, que a presença de biomarcadores positivos não deve ser interpretada como uma sentença de que a pessoa desenvolverá a doença. Torres Filho afirmou na reportagem que esses indicadores apontam apenas uma probabilidade maior de alterações compatíveis com Alzheimer, mas não garantem que o indivíduo apresentará demência no futuro.

Outro ponto ressaltado pelos especialistas é a necessidade de cautela ao aplicar esse tipo de exame em pessoas sem sintomas. Segundo relatado na reportagem, antecipar um diagnóstico em indivíduos cognitivamente saudáveis pode gerar efeitos negativos, como ansiedade, estigmatização social ou dilemas relacionados à privacidade.

Além disso, ainda não existem evidências científicas robustas de que intervenções extremamente precoces consigam impedir o desenvolviment da demência.

Atualmente, os medicamentos disponíveis são indicados apenas para pacientes que já apresentam manifestações iniciais da doença, como comprometimento cognitivo leve ou demência em estágio inicial.

Nem todo biomarcador evolui para demência

O geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), também destacou à reportagem que o envelhecimento do cérebro é um processo complexo e que nem todas as pessoas com biomarcadores positivos necessariamente desenvolverão demência.

Segundo ele, há indivíduos que apresentam esses marcadores biológicos e permanecem cognitivamente preservados ao longo da vida. Por isso, uma das possibilidades futuras seria utilizar essas informações para monitorar fatores de risco que já são conhecidos pela ciência.

Entre esses fatores estão condições como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e déficits sensoriais, como perda auditiva ou visual. O controle adequado dessas condições pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença.

Oliva também citou hábitos de vida como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool como elementos associados ao aumento do risco de demência.

Estilo de vida também influencia

Além do controle de fatores clínicos, evidências científicas indicam que o estilo de vida também pode desempenhar papel importante na prevenção.

Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Network Open analisou dados de aproximadamente 43 mil participantes, acompanhados durante décadas, e observou que níveis mais elevados de atividade física estavam associados a menor risco de demência entre 45 e 88 anos.

Segundo a geriatra Claudia Suemoto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Banco de Cérebros da instituição, a meia-idade pode ser um período especialmente relevante para a adoção de hábitos que protejam o cérebro.

Os resultados da pesquisa também apontam que a prática de exercícios físicos mantém benefícios importantes mesmo em fases mais avançadas da vida.

AGÊNCIA BRASIL

blog indica parnamirim

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga nossas redes

Notícias mais lidas

  • All Posts
  • Brasil
  • CMP
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esporte
  • Internacional
  • JONAS GODEIRO
  • LEGISLATIVO
  • Natal
  • Parnamirim
  • Política
  • PREFEITURA PARNAMIRIM
  • PRISCILA BRAW
  • RN
  • Saúde
  • UBALDO FERNANDES
Edit Template
Você foi inscrito com sucesso! Ops! Something went wrong, please try again.

Posts recentes

  • All Posts
  • Brasil
  • CMP
  • Economia
  • Entretenimento
  • Esporte
  • Internacional
  • JONAS GODEIRO
  • LEGISLATIVO
  • Natal
  • Parnamirim
  • Política
  • PREFEITURA PARNAMIRIM
  • PRISCILA BRAW
  • RN
  • Saúde
  • UBALDO FERNANDES

Contato

© 2025 Desenvolvido por Clic Digital Creative Media