Fiocruz produz medicamento 100% nacional para transplantes no SUS

Produção brasileira de imunossupressor amplia autonomia sanitária e garante continuidade terapêutica a pacientes transplantados

25/03/26 às 17:26 | Atualizado 26/03/26 às 11:40

Brasil começou a produzir totalmente no país o tacrolimo, um medicamento essencial para pessoas que passaram por transplantes.

O remédio é um imunossupressor, ou seja, ele reduz a atividade do sistema imunológico para evitar que o corpo rejeite o órgão transplantado. Sem esse tipo de medicamento, procedimentos como transplante de rim, fígado ou coração não teriam sucesso a longo prazo.

A produção nacional foi possível graças a uma parceria entre a Fiocruz e a farmacêutica brasileira Libbs, dentro de uma iniciativa chamada Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Agora, o país domina todas as etapas de fabricação do medicamento, desde o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), que é a base do remédio, até o produto final. Antes, esse insumo era importado.

Segundo o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, “o avanço desta parceria contribui para a soberania brasileira no domínio tecnológico para a produção de imunossupressores, reduzindo a dependência do país de insumos importados”. Ele também destaca que isso fortalece o papel da instituição dentro do SUS, especialmente na área de ciência e inovação.

A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, ressaltou o impacto direto na vida dos pacientes: “Nos últimos 10 anos, o fornecimento do tacrolimo proporcionou qualidade de vida aos transplantados”.

Ela também explicou que todas as etapas de desenvolvimento do medicamento foram internalizadas com sucesso, tornando Farmanguinhos o único fornecedor desse remédio para o SUS.

O primeiro lote produzido com matéria-prima nacional já foi fabricado e agora passará por testes de qualidade. Depois disso, será necessário atualizar o registro do medicamento na Anvisa, já que houve mudança na origem do insumo. Esse lote inicial tem mais de um milhão de unidades, em diferentes dosagens.

A nacionalização do tacrolimo também envolve cooperação internacional. A tecnologia para produzir o insumo foi transferida da empresa indiana Biocon para a Libbs, em uma parceria entre Brasil e Índia. Esse processo permitiu que o país passasse a fabricar o IFA internamente.

Desde que foi incorporado ao SUS, o tacrolimo já beneficiou milhões de pacientes. Ao longo de uma década, mais de 500 milhões de unidades foram distribuídas, garantindo a manutenção de transplantes realizados pelo sistema público de saúde.

CNN

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