{"id":5933,"date":"2025-05-26T12:30:24","date_gmt":"2025-05-26T12:30:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogindicaparnamirim.com.br\/?p=5933"},"modified":"2025-05-26T12:30:26","modified_gmt":"2025-05-26T12:30:26","slug":"negocios-de-impacto-ganham-forca-no-rn-unindo-sustentabilidade-e-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogindicaparnamirim.com.br\/?p=5933","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios de impacto ganham for\u00e7a no RN unindo sustentabilidade e lucro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250525_9EC10_FT-Alex-Regis.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250525_9EC10_FT-Alex-Regis-1068x712.jpg\" alt=\"\" title=\"20250525_9EC10_FT Alex R\u00e9gis\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lideran\u00e7a ind\u00edgena e professor, Jos\u00e9 Luiz Soares recebe os visitantes na comunidade Katu | Foto: Alex R\u00e9gis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um roteiro de imers\u00e3o na natureza e na cultura local, com momentos de hist\u00f3rias, reflex\u00f5es e conex\u00f5es com as ancestralidades. A trilha junto \u00e0 natureza tamb\u00e9m conta com pinturas corporais, c\u00e2nticos, rituais, banho de rio e um espa\u00e7o para artesanatos locais e troca de aprendizados sobre plantas nativas e preparo de rem\u00e9dios naturais. \u00c9 assim que a comunidade ind\u00edgena Katu, entre Goianinha e Canguaretama, na Grande Natal, passou a conviver nos \u00faltimos anos com o turismo comunit\u00e1rio, uma forma de gerar visibilidade e identifica\u00e7\u00e3o para os povos origin\u00e1rios do Rio Grande do Norte, desconstruir preconceitos e esteri\u00f3tipos e mostrar, na pr\u00e1tica, como \u00e9 a rotina e a cultura do povo Potiguara Katu. Os roteiros imersivos s\u00e3o apenas um exemplo do cotidiano de empresas e coletivos que buscam unir quest\u00f5es sociais, sustentabilidade e lucro nos chamados neg\u00f3cios de impacto, uma ramifica\u00e7\u00e3o do mundo empresarial que tem ganhado for\u00e7a no Rio Grande do Norte e no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, um neg\u00f3cio de impacto \u00e9 um empreendimento que tem como intuito principal a gera\u00e7\u00e3o de impacto positivo na sociedade e\/ou meio ambiente, ao passo que tamb\u00e9m busca sustentabilidade financeira e lucros. Os neg\u00f3cios de impacto fazem parte de um setor intitulado \u201cdois e meio\u201d ou \u201c2.5\u201d, isto \u00e9, transitando entre o setor privado com fins lucrativos (segundo setor) e as organiza\u00e7\u00f5es sociais sem fins lucrativos (terceiro setor).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00e3o quatro caracter\u00edsticas b\u00e1sicas: o empreendedor precisa ter a inten\u00e7\u00e3o real de resolver um problema social ou ambiental. Ele precisa operar pela l\u00f3gica do mercado, n\u00e3o basta s\u00f3 resolver o problema, ele tem que lucrar com aquilo. Ele alia uma oportunidade a resolu\u00e7\u00e3o do problema. Essa resolu\u00e7\u00e3o precisa ser o produto e servi\u00e7o direto da empresa, n\u00e3o pode ser algo acess\u00f3rio, \u00e9 o principal. E por \u00faltimo: o empreendedor precisa medir que impacto positivo est\u00e1-se gerando\u201d, explica Mona Paula N\u00f3brega, analista t\u00e9cnica e gerente da \u00c1rea de Desenvolvimento Rural e Neg\u00f3cios de impacto socioambiental do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-23-as-20.48.10_34f2a028-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-832127\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nativa da Comunidade Katu, Maria Baixinha \u00e9 a refer\u00eancia no Jardim da Cura com rem\u00e9dios naturais e plantas&nbsp;medicinais | Foto: Alex R\u00e9gis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Turismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na comunidade Katu, que conta com 900 moradores, a Katu Experi\u00eancias se enquadra como neg\u00f3cio de impacto. A empresa foi fundada por Maria Pimentel \u2013 mestra e atualmente doutoranda em Turismo pela UFRN -, que sentia necessidade de refor\u00e7ar a valoriza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de sua comunidade e preservar a cultura local. As trilhas, por exemplo, n\u00e3o foram criadas para os turistas, mas j\u00e1 existiam pelos moradores antepassados da comunidade Katu. O nome, inclusive, tem o significado na l\u00edngua Tupi como \u201cbom e bonito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA Katu Experi\u00eancias surgiu com o intuito de fazer com que as pessoas da comunidade pudessem ter a oportunidade de serem visibilizadas a partir de sua cultura e gerar uma segunda fonte de renda, porque ainda temos como principal fonte de renda a agricultura familiar e outras atividades culturais que fazem parte do nosso cotidiano. Percebemos que era poss\u00edvel agregar turismo \u00e0s atividades que fazem parte do cotidiano e gerar valoriza\u00e7\u00e3o cultural e que esses aprendizados sejam passados de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Isso fortalece nossa cultura\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa foi formalizada em 2020, mas iniciou as atividades em 2018. Segundo Maria Pimentel, al\u00e9m dos roteiros propiciados pela Katu Experi\u00eancias, a ideia \u00e9 gerar melhorias e benef\u00edcios para a comunidade. Ela explica, por exemplo, que s\u00e3o feitas a\u00e7\u00f5es de reflorestamento na comunidade, envolvimento dos integrantes nas a\u00e7\u00f5es da empresa e reinvestimento dos ganhos na pr\u00f3pria comunidade, seja no desassoreamento do rio, em viabiliza\u00e7\u00e3o de trilhas e pequenas reformas, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTrazer o turismo para uma comunidade ind\u00edgena que n\u00e3o tem seu territ\u00f3rio reconhecido e demarcado faz com que tenhamos mais visibilidade e essa for\u00e7a que temos na nossa cultura seja dispersada para fora da comunidade, para que as pessoas comecem a enxergar que no RN existem povos ind\u00edgenas. Temos cerca de 22 aldeamentos e nenhum \u00e9 demarcado\u201d, complementa Maria Pimentel, que lembra que o RN, por muito tempo, inviabilizou os povos ind\u00edgenas e \u00e9 o \u00fanico estado do Brasil que n\u00e3o demarcou os territ\u00f3rios desses povos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/20250525_9EC20_FT-Alex-Regis-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-832124\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Por meio da Katu Experi\u00eancias, Maria Pimentel refor\u00e7a a valoriza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na comunidade | Foto: Alex R\u00e9gis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade Katu tamb\u00e9m conta com um coletivo de turismo comunit\u00e1rio: a Etno Katu, que desempenha um trabalho semelhante no tocante a dar visibilidade para a comunidade ind\u00edgena. Escolas, pesquisadores e universidades fazem visitas frequentes \u00e0 comunidade. Em 2005, uma audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa do RN (ALRN) foi a virada de chave para os povos ind\u00edgenas, segundo Jos\u00e9 Luiz Soares, ou Luiz Katu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO turismo pedag\u00f3gico e tudo que acontece dentro de Katu vem de provoca\u00e7\u00f5es. Em 2005 foi decisivo. Na audi\u00eancia p\u00fablica eu provoquei para virem nos conhecer e conversar conosco. E as pessoas compraram esse desafio e vieram aqui\u201d, explica a lideran\u00e7a ind\u00edgena Jos\u00e9 Luiz Soares, que \u00e9 cacique potiguara no territ\u00f3rio Potiguara Katu, professor ind\u00edgena na Escola Jo\u00e3o Lino da Silva e na Escola Alfredo Lima, ambas ind\u00edgenas no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-23-as-20.48.09_e5ef8cea-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-832126\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Comunidade Katu recebe semanalmente escolas, universidades e turistas para vivenciar a&nbsp;rotina&nbsp;ind\u00edgena | Foto: Alex R\u00e9gis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa acelera e estimula ideias no RN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o intuito de aprimorar ideias de poss\u00edveis neg\u00f3cios de impacto e dar oxigena\u00e7\u00e3o para empresas que j\u00e1 atuam no mercado, o Sebrae-RN possui os programas Impacta RN e o Regenera, para esses empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Mona Paula N\u00f3brega, o Impacta RN \u00e9 para aqueles empreendedores que est\u00e3o em est\u00e1gios iniciais, visando desenvolver, prototipar e validar a ideia. Nesse sentido \u00e9 feita uma jornada de acelera\u00e7\u00e3o de 6 a 8 meses para preparar a ideia para o mercado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o Regenera, feito em parceria com a Yunus, \u00e9 voltado \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas j\u00e1 est\u00e3o no mercado, j\u00e1 t\u00eam produtos e servi\u00e7os, mas elas precisam ampliar mercado, desenvolver outras solu\u00e7\u00f5es. No Regenera, temos a participa\u00e7\u00e3o da Yunus Social, aceleradora refer\u00eancia em neg\u00f3cios de impacto, que ficam 6 meses aqui conosco acelerando esses neg\u00f3cios. Abrimos mercado, amadurecemos solu\u00e7\u00f5es. As empresas recebem um capital semente de R$ 20 a R$ 30 mil por neg\u00f3cio para ampliar impacto e lucro\u201d, cita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O edital mais recente do Regenera foi lan\u00e7ado nesta semana pelo Sebrae-RN. As inscri\u00e7\u00f5es permanecem abertas at\u00e9 o dia 08 de junho. A expectativa \u00e9 come\u00e7ar a acelera\u00e7\u00e3o em meados de julho de 2025. O Sebrae-RN pretende promover uma Feira de Neg\u00f3cios de Impacto em junho no Estado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-23-as-20.48.10_4f98843d.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-832125\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mona Paula N\u00f3brega, do Sebrae-RN, aponta que programas de acelera\u00e7\u00e3o t\u00eam impulsionado neg\u00f3cios de&nbsp;impacto&nbsp;no&nbsp;RN | Foto: Alex R\u00e9gis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acesso \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o: startups desenvolvem solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundada em 2018 para melhorar a jornada de pacientes na busca por atendimento \u00e0 sa\u00fade, a UP Sa\u00fade \u00e9 um dos neg\u00f3cios de impacto existentes no Rio Grande do Norte. O CEO da empresa, Rodolfo Lira, explica que a ideia surgiu para facilitar o acesso de pacientes do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) para consultas junto \u00e0s prefeituras do Estado na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e m\u00e9dia complexidade. As primeiras a\u00e7\u00f5es ocorreram em Currais Novos e em Caic\u00f3, durante um programa de resid\u00eancias, sendo expandido para um aplicativo tempos depois. Criado no contexto da pandemia, a startup inseriu a telemedicina dentro do SUS, ampliando a capacidade de atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuem utiliza o app \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o. Por exemplo: um cardiologista. Como seria antes? Voc\u00ea precisaria ir \u00e0 unidade, consulta pr\u00e9via, receber encaminhamento, sair da UBS para o distrito, solicitar o encaminhamento, que iria para a regula\u00e7\u00e3o, que agenda, entrar em contato com o usu\u00e1rio para, daqui a 15 dias, 6 meses ou um ano, ir para a consulta. Fizemos o contr\u00e1rio: voc\u00ea marca a consulta online, passa por uma consulta de telemedicina com o m\u00e9dico da fam\u00edlia, que encaminha para o especialista e, dependendo da sua vulnerabilidade, essa consulta poderia ser na sua casa ou&nbsp; presencial. Uma fila que demorava 6 meses a 1 ano passou a ser no m\u00e1ximo 30 dias. Durante a pandemia foi uma revolu\u00e7\u00e3o\u201d, cita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa j\u00e1 fez 36 projetos em munic\u00edpios diferentes do Estado, atuando atualmente em 28 munic\u00edpios de estados como RN, Para\u00edba, Maranh\u00e3o, Pernambuco e Acre em sua carteira de clientes, bem como planos de sa\u00fade. A empresa aponta que durante a pandemia chegou a ter mais de 500 mil vidas monitoradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra startup que surgiu nesse contexto de neg\u00f3cios de impacto \u00e9 a Game Mind, fundada em 2020 para criar jogos educacionais com o intuito de desenvolver compet\u00eancias para crian\u00e7as entre 5 e 9 anos de idade. S\u00f3cio e respons\u00e1vel pelo desenvolvimento da parte t\u00e9cnica, Nathanael Derick Medeiros aponta que a ideia \u00e9 promover melhorias na educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Atualmente a empresa est\u00e1 em fase de capta\u00e7\u00e3o de clientes no mercado local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00e3o jogos voltados para o ensino fundamental I e II, etapa mais importante da aprendizagem. Alfabetiza\u00e7\u00e3o, letramento e matem\u00e1tica\u201d, cita. Os jogos consistem, por exemplo, em ensinar conceitos de \u201cdireita e esquerda\u201d, n\u00fameros e atividades b\u00e1sicas para as crian\u00e7as, vendo em tempo real a progress\u00e3o. \u201cA crian\u00e7a joga os desafios e, sempre que ela comete um erro, isso \u00e9 coletado e vai para o professor, que pode desenvolver planos para trabalhar com a crian\u00e7a. Somos um neg\u00f3cio de impacto por transformar n\u00e3o s\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o como a vida do professor e dos pais\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tribunadonorte.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/3i-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-832130\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Alex R\u00e9gis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Perfis<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perfil dos neg\u00f3cios de impacto no Rio Grande do Norte s\u00e3o dos mais diversos poss\u00edveis. H\u00e1 empresas com focos em solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, seja para a \u00e1rea jur\u00eddica, educativa e de sa\u00fade, al\u00e9m de neg\u00f3cios voltados ao entretenimento, turismo e lazer, moda e gastronomia. Os faturamentos anuais variam entre R$ 81 mil e R$ 360 mil, ou seja, todas s\u00e3o classificadas como microempresas (MEs). H\u00e1 casos, ainda, de Empresas de Pequeno Porte (EPPs) com faturamento at\u00e9 R$ 4,8 milh\u00f5es identificadas no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00faltimo mapeamento feito pelo Sebrae-RN em 2022 apontava que o Estado possu\u00eda 62 neg\u00f3cios de impacto e outros 53 potenciais neg\u00f3cios. Destas empresas, 50% est\u00e3o localizadas no interior do Rio Grande do Norte, com outras 35% em Natal e 15% no interior do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, os neg\u00f3cios de impacto est\u00e3o diretamente ligados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODSs) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com os empreendimentos tendo cumprido um ou mais de um ODS no desenvolvimento dos seus neg\u00f3cios. \u201cTem tudo a ver. Um empreendedor social quando olha para os ODS enxerga na realidade 17 grandes oportunidades para empreender. Quando se enxerga um problema, o empreendedor social v\u00ea uma oportunidade\u201d, explica Mona N\u00f3brega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TRIBUNA DO NORTE <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um roteiro de imers\u00e3o na natureza e na cultura local, com momentos de hist\u00f3rias, reflex\u00f5es e conex\u00f5es com as ancestralidades. A trilha junto \u00e0 natureza tamb\u00e9m conta com pinturas corporais, c\u00e2nticos, rituais, banho de rio e um espa\u00e7o para artesanatos locais e troca de aprendizados sobre plantas nativas e preparo de rem\u00e9dios naturais. \u00c9 assim que a comunidade ind\u00edgena Katu, entre Goianinha e Canguaretama, na Grande Natal, passou a conviver nos \u00faltimos anos com o turismo comunit\u00e1rio, uma forma de gerar visibilidade e identifica\u00e7\u00e3o para os povos origin\u00e1rios do Rio Grande do Norte, desconstruir preconceitos e esteri\u00f3tipos e mostrar, na pr\u00e1tica, como \u00e9 a rotina e a cultura do povo Potiguara Katu. Os roteiros imersivos s\u00e3o apenas um exemplo do cotidiano de empresas e coletivos que buscam unir quest\u00f5es sociais, sustentabilidade e lucro nos chamados neg\u00f3cios de impacto, uma ramifica\u00e7\u00e3o do mundo empresarial que tem ganhado for\u00e7a no Rio Grande do Norte e no Brasil. Na pr\u00e1tica, um neg\u00f3cio de impacto \u00e9 um empreendimento que tem como intuito principal a gera\u00e7\u00e3o de impacto positivo na sociedade e\/ou meio ambiente, ao passo que tamb\u00e9m busca sustentabilidade financeira e lucros. Os neg\u00f3cios de impacto fazem parte de um setor intitulado \u201cdois e meio\u201d ou \u201c2.5\u201d, isto \u00e9, transitando entre o setor privado com fins lucrativos (segundo setor) e as organiza\u00e7\u00f5es sociais sem fins lucrativos (terceiro setor). \u201cS\u00e3o quatro caracter\u00edsticas b\u00e1sicas: o empreendedor precisa ter a inten\u00e7\u00e3o real de resolver um problema social ou ambiental. Ele precisa operar pela l\u00f3gica do mercado, n\u00e3o basta s\u00f3 resolver o problema, ele tem que lucrar com aquilo. Ele alia uma oportunidade a resolu\u00e7\u00e3o do problema. Essa resolu\u00e7\u00e3o precisa ser o produto e servi\u00e7o direto da empresa, n\u00e3o pode ser algo acess\u00f3rio, \u00e9 o principal. E por \u00faltimo: o empreendedor precisa medir que impacto positivo est\u00e1-se gerando\u201d, explica Mona Paula N\u00f3brega, analista t\u00e9cnica e gerente da \u00c1rea de Desenvolvimento Rural e Neg\u00f3cios de impacto socioambiental do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN). Turismo Na comunidade Katu, que conta com 900 moradores, a Katu Experi\u00eancias se enquadra como neg\u00f3cio de impacto. A empresa foi fundada por Maria Pimentel \u2013 mestra e atualmente doutoranda em Turismo pela UFRN -, que sentia necessidade de refor\u00e7ar a valoriza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de sua comunidade e preservar a cultura local. As trilhas, por exemplo, n\u00e3o foram criadas para os turistas, mas j\u00e1 existiam pelos moradores antepassados da comunidade Katu. O nome, inclusive, tem o significado na l\u00edngua Tupi como \u201cbom e bonito\u201d. \u201cA Katu Experi\u00eancias surgiu com o intuito de fazer com que as pessoas da comunidade pudessem ter a oportunidade de serem visibilizadas a partir de sua cultura e gerar uma segunda fonte de renda, porque ainda temos como principal fonte de renda a agricultura familiar e outras atividades culturais que fazem parte do nosso cotidiano. Percebemos que era poss\u00edvel agregar turismo \u00e0s atividades que fazem parte do cotidiano e gerar valoriza\u00e7\u00e3o cultural e que esses aprendizados sejam passados de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Isso fortalece nossa cultura\u201d, explica. A empresa foi formalizada em 2020, mas iniciou as atividades em 2018. Segundo Maria Pimentel, al\u00e9m dos roteiros propiciados pela Katu Experi\u00eancias, a ideia \u00e9 gerar melhorias e benef\u00edcios para a comunidade. Ela explica, por exemplo, que s\u00e3o feitas a\u00e7\u00f5es de reflorestamento na comunidade, envolvimento dos integrantes nas a\u00e7\u00f5es da empresa e reinvestimento dos ganhos na pr\u00f3pria comunidade, seja no desassoreamento do rio, em viabiliza\u00e7\u00e3o de trilhas e pequenas reformas, por exemplo. \u201cTrazer o turismo para uma comunidade ind\u00edgena que n\u00e3o tem seu territ\u00f3rio reconhecido e demarcado faz com que tenhamos mais visibilidade e essa for\u00e7a que temos na nossa cultura seja dispersada para fora da comunidade, para que as pessoas comecem a enxergar que no RN existem povos ind\u00edgenas. Temos cerca de 22 aldeamentos e nenhum \u00e9 demarcado\u201d, complementa Maria Pimentel, que lembra que o RN, por muito tempo, inviabilizou os povos ind\u00edgenas e \u00e9 o \u00fanico estado do Brasil que n\u00e3o demarcou os territ\u00f3rios desses povos. A comunidade Katu tamb\u00e9m conta com um coletivo de turismo comunit\u00e1rio: a Etno Katu, que desempenha um trabalho semelhante no tocante a dar visibilidade para a comunidade ind\u00edgena. Escolas, pesquisadores e universidades fazem visitas frequentes \u00e0 comunidade. Em 2005, uma audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa do RN (ALRN) foi a virada de chave para os povos ind\u00edgenas, segundo Jos\u00e9 Luiz Soares, ou Luiz Katu. \u201cO turismo pedag\u00f3gico e tudo que acontece dentro de Katu vem de provoca\u00e7\u00f5es. Em 2005 foi decisivo. Na audi\u00eancia p\u00fablica eu provoquei para virem nos conhecer e conversar conosco. E as pessoas compraram esse desafio e vieram aqui\u201d, explica a lideran\u00e7a ind\u00edgena Jos\u00e9 Luiz Soares, que \u00e9 cacique potiguara no territ\u00f3rio Potiguara Katu, professor ind\u00edgena na Escola Jo\u00e3o Lino da Silva e na Escola Alfredo Lima, ambas ind\u00edgenas no territ\u00f3rio. Programa acelera e estimula ideias no RN Com o intuito de aprimorar ideias de poss\u00edveis neg\u00f3cios de impacto e dar oxigena\u00e7\u00e3o para empresas que j\u00e1 atuam no mercado, o Sebrae-RN possui os programas Impacta RN e o Regenera, para esses empreendimentos. Segundo Mona Paula N\u00f3brega, o Impacta RN \u00e9 para aqueles empreendedores que est\u00e3o em est\u00e1gios iniciais, visando desenvolver, prototipar e validar a ideia. Nesse sentido \u00e9 feita uma jornada de acelera\u00e7\u00e3o de 6 a 8 meses para preparar a ideia para o mercado. J\u00e1 o Regenera, feito em parceria com a Yunus, \u00e9 voltado \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas j\u00e1 est\u00e3o no mercado, j\u00e1 t\u00eam produtos e servi\u00e7os, mas elas precisam ampliar mercado, desenvolver outras solu\u00e7\u00f5es. No Regenera, temos a participa\u00e7\u00e3o da Yunus Social, aceleradora refer\u00eancia em neg\u00f3cios de impacto, que ficam 6 meses aqui conosco acelerando esses neg\u00f3cios. Abrimos mercado, amadurecemos solu\u00e7\u00f5es. As empresas recebem um capital semente de R$ 20 a R$ 30 mil por neg\u00f3cio para ampliar impacto e lucro\u201d, cita. O edital mais recente do Regenera foi lan\u00e7ado nesta semana pelo Sebrae-RN. As inscri\u00e7\u00f5es permanecem abertas at\u00e9 o dia 08 de junho. A expectativa \u00e9 come\u00e7ar a acelera\u00e7\u00e3o em meados de julho de 2025. 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